Por sugestão da Gabriela, vamos todos retomar este blogue? Actualidades e reflexões não faltam...e para começar, aqui fica o trailer de um dos filmes do momento, "Alice no País das Maravilhas", de Tim Burton. Os cogumelos gigantes, as flores, as lagartas gigantes e borboletas não podem deixar de fazer lembrar Georges Méliès. Mais de um século depois, o digital e as novas tecnologias completamente ao serviço do imaginário infantil..e não só :)
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quarta-feira, 17 de março de 2010
sexta-feira, 5 de dezembro de 2008
O Imaginário no Cinematógrafo – O exemplo de George Méliès
“Se permitirmos que a fotografia invada o terreno do impalpável e do imaginário, de tudo o que só vale porque o homem lhe acrescenta a sua alma, então ai de nós!”
Charles Baudelaire, “Le public moderne et la photographie”
Em 1859, ano em que proferiu estas palavras pessimistas a respeito de uma categorização da fotografia como arte, Baudelaire estava longe de imaginar que uma tecnologia sucessora desta, o cinematógrafo, iria invadir de forma tão avassaladora esse terreno do imaginário.
Não houve ninguém na época, que de forma tão explícita, pisasse este terreno, como George Mélies (1861-1938). Ilusionista famoso em França, deixou-se levar pela emoção do invento tecnológico mais famoso na sua época, e começou a criar filmes puramente documentais, utilizando deste modo a máquina para a função para a qual foi criada. Quis o destino que um simples erro técnico (a máquina encravou durante a gravação de uma cena, e quando visionou o filme, as figuras na rua “saltavam” e “mudavam” de posição como que por magia), o levasse a explorar a máquina de forma inovadora, tornando-o o percursor dos efeitos especiais e do género de ficção científica.
Arlindo Machado, no livro "Máquina e Imaginário", reflecte sobre estas questões. O autor diferencia o trabalho com a tecnologia do trabalho artístico. O trabalho com a tecnologia relaciona-se com a sistematização e eliminação do improviso. Pelo contrário, o trabalho artístico relaciona-se com a ambiguidade, com os imprevistos, a desordem e o imaginário. Com o surgimento dos novos meios técnicos (a maquina fotográfica, o cinematógrafo), esta divisão torna-se paradoxal no sentido que atinge o Artista, tentado a experimentar os novos meios técnicos.
Convém lembrar que o cinematógrafo foi criado com um intuito técnico, científico, e os primeiros filmes produzidos eram puramente documentais. A máquina de filmar tinha a função de captar uma acção do “real”, gravá-la numa película, sendo posteriormente exibida para um público. Ou seja, uma função que, a longo prazo, poderia cair numa estagnação.
Arlindo Machado veio defender exactamente que cabe ao Artista assegurar a vitalidade da máquina, para evitar que ela caia nessa estagnação. A verdadeira arte produzida com as máquinas seria aquela que inverteria as suas funções, que exploraria a máquina ao máximo, procurando obter efeitos e respostas inovadoras e criativas, imprimindo uma vontade milenar de intervir no mundo dos sonhos e do imaginário.
Arlindo Machado veio defender exactamente que cabe ao Artista assegurar a vitalidade da máquina, para evitar que ela caia nessa estagnação. A verdadeira arte produzida com as máquinas seria aquela que inverteria as suas funções, que exploraria a máquina ao máximo, procurando obter efeitos e respostas inovadoras e criativas, imprimindo uma vontade milenar de intervir no mundo dos sonhos e do imaginário.
Méliès explorou como ninguém, embora limitado pelos recursos da sua época, as potencialidades na máquina (dupla exposição, pausas, a técnica do stop-motion, congelamento, inversão de movimentos, etc), tornando-o percursor dos efeitos especiais e do género de ficção científica. O artista criou assim um mundo mágico e imaginário, levando o cinema a territórios até então inexplorados, subvertendo assim a função para a qual a máquina foi criada.
Assistirmos, nos dias de hoje, a um qualquer filme de efeitos especiais é a melhor homenagem que podemos fazer a Méliès. No entanto, fica aqui um exemplo que os Smashing Pumpkins fizeram em 1996, explorando o mundo de Mélies e o seu mais famoso filme “A Viagem à Lua”, de 1902.
Assistirmos, nos dias de hoje, a um qualquer filme de efeitos especiais é a melhor homenagem que podemos fazer a Méliès. No entanto, fica aqui um exemplo que os Smashing Pumpkins fizeram em 1996, explorando o mundo de Mélies e o seu mais famoso filme “A Viagem à Lua”, de 1902.
Cristina Braga
André Mantas
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